Bem- Vindo

Bem- Vindo
Queria tanto ser poeta, falar do mundo, do amor... Porque não da dor? Do sofrimento... Da injustiça então... Enfim, falar do meu sentimento

domingo, 9 de outubro de 2011

Mundos opostos



Inconscientemente, transitava uma vereda sinuosa…

Uma estrada larga, com permissividade excessiva.

Iterenário opaco, abastecido de obstáculos. --- Antagonismos humanos… Com valores mortos, onde permutam a verdade pela mentira… Que trocam conversa saudavel… educativa, por conversas obscenas… Espúrias…

Metamorfoseiam o Amor, a essência da vida, por sexo animalesco… Suas actividades são tão repulsivas, que transportam no hálito cheiro a excremento…

 --- Era um mundo asqueroso… Abjecto… Imundo… Onde me encontrava aprisionado, acorrentado… Como os condenados às galés com as suas correntes e grilhões.

Ambicionava fugir deste trilho. --- Mas, uma voz macia… Sensual… Lasciva… Lúbrica… Ardilosa… Conduzia-me contínuamente com linguagem de engano, como se recruta um touro ao abate. Elas próprias reconhecem que são desprezíveis. --- Mas gostam e persistem nos seus actos ignóbeis…

São estas pessoas. --- Que insistem, em transformar o mundo num lago de aguas paradas… Fétidas… Podres, a cheirar mal

E ali residia eu. --- Neste abismo… Neste mundo fétido… Adulterado… Até que te vi. --- Ao longe é verdade, a tua imgem ainda estava indefenida… Mas assim, como o dia clareia mais e mais, até estar firmemente estabelecido, assim tu vieste a mim, mais e mais até a tua imagem estar defenidamente descoberta…

Lembro que falei dos teus olhos. --- Olhos brilhantes… Radiantes… Expressivos… Tu? Tu adocicaste as palavras com a verdade… Com ternura… Com amor.

Pedi a tua mão. --- Olhaste-me com surpresa… Com perturbação… Não esperavas este meu absolutismo… E timidamente pousaste a tua mão na minha… Foi o momento aureo do nosso encontro…

Desataste teu coração. --- Onde entrei… 0nde penetrei até ao fundo do teu mais íntimo, e descobri um planeta novo. --- Com caminhos sensatos… Harmoniosos… Aprazíveis, que se respira autêntica paz…

Universo de imperturbabilidade.

 Com belos jardins… sebes podadas, formam artisticamente desenhos labirínticos.
Relva com um verde fresco, saciado de irrigação… Lagos, contendo peixes de várias cores… repuxos, flores são das mais variadas, com sua fragrância a ressuscitar no ar… Pavões com sua plumagem de cores luxuriantes…
Na área envolvente, várias árvores formam uma floresta exuberante, onde o sol côa nas suas ramagens. 
O chilrear e o volutear dos pássaros, é mais um elemento, para reforçar a ideia de que esta parte do mundo, não mudou muito desde o éden.




                                          Luis Paulo

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Perola do Atlantico...


São três da tarde…

O dia está firmemente estabelecido.

O sol de Agosto… Desenha… Caustica seus raios na terra… Conduzindo luz… transferindo calor ao mundo…

Lenbro-me dos teus olhos…

Olhos pretos… Pretos azeviche… Como a corroborarem, que em ti reside o amor… Que a mim remetem… Me endereçam raios de alegria e esperança…

Sentado…

Contemplando o profundo oceano que nos separa…

Peço ao céu, que envie anjos para te carregarem a mim… Minha flor… Minha pérola do atlântico…

Tantas vezes quis negligenciar estes sentimentos meus… Sem alcançar… Sem vislumbrar ser possivel…

E aqui estou eu, em frente às águas que nos desconjuntam… Que nos apartam… A meditar em ti…

Por favor desculpa…

Por favor perdoa… Perdoa não acordar o pacto… O nosso plácito… Convenção de silêncio…





                                                                                            Luis Paulo


domingo, 18 de setembro de 2011

Audácia...


Ambicionava tanto que estivesses aqui.

Olhar-te nos olhos…

Ver-te sorrir…

Quando me lembro, das tuas palavras segredadas… Que saudades meu Deus!

Teus abraços, são como um cachecol, que me envolve e aquece no inverno mais frio…

Recordo, francamente, a última primavera. --- Testemunhámos o aparecer das primeiras andorinhas… Olhámo-nos sorrindo sob o Sol de Abril… Falaste que adejavam baixo… Um adejar meio atabalhoado, mas único e de uma grande beleza, adicionaste.

Interpretámos nesse momento, momentos ímpares… excepcionais, de uma grande singularidade e cumplicidade…

Lembro, que toquei teus lábios carnudos e aveludados. --- Beijei-te ao de leve, com medo de te magoar… Depois mais enérgico… Com fome de ti, sôfrego, saciei-me num sabor a pétalas açucaradas… Teus lábios eram como deliciosos gomos, que se abriam como uma flor diante do Sol.

Perdemo-nos para lá do horizonte, num paraíso de sensações e sentimentos, afogando-nos um no outro, derretendo-nos num amor incandescente…

Nada mais existia, apenas nós dois e aquele instante. --- Com os corpos colados, fundimo-nos num só e amámo-nos toda a noite…

Hoje. --- As minhas noites não são mais ditosas.

Tenho sonhos. --- Tenho pesadelos… Sonho que te afastas… Primeiro afastas-te devagar, muito devagar … Tento alcançar-te. --- Quanto mais me aproximo mais tu te afastas… Corro… Corro desesperadamente… Chamo por ti… Quanto mais corro, mais longe estás… Estou cansado, sinto dificuldade em respirar… Corro… Meus pulmões, não aguentam tanto esforço… Sinto-me desmaiar de cansaço… Mas, vejo-te cada vez mais longe… Vejo-te desapareceres… Vejo-te esfumares, como uma bruma…

Então, quando desapareces… Quando deixo de te ver. --- Acordo… Acordo aflito, alagado em suores frios, num leito intranquilo… Inquieto… Desassossegado.

Lentamente e quando me apercebo que não passou de um sonho… De um pesadelo… Quando a respiração começa a normalizar… A pacificar… Sou confrontado com a dura realidade.

Onde estás tu minha querida?

Levanto-me da cama, sento-me e então choro. --- Choro de saudades… Das primaveras passadas… Dos teus olhos… Do teu sorriso… Dos jantares á luz das velas… Das conversas… Das noites de amor… De ti…

Hoje, no meu quarto. --- Espraiado… Taciturno… Afiguro esses instantes cingidos nesse amor intenso.

E audaciosamente tomei uma decisão…

Vou lutar por ti… Vou parar de ter pena de mim mesmo… Vou lutar contra os pesadelos… Vou lutar contra o mundo… Vou lutar contra todos os opositores… Vou lutar contra o sofrimento… Vou conquistar-te outra vez…

Vou olhar-te nos olhos… Vou ver-te sorrir… Vou passar muitas primaveras contigo… Vou amar-te de novo.

                                                                                                  



                                                                         Luís Paulo










sábado, 17 de setembro de 2011

Os mediocres


A manhã principiava triste, fria, chuvosa, escura… o termómetro não passaria dos três graus célsius.

O crepúsculo espreitava timidamente no horizonte. --- Cinzelando… prateando as águas da baia

O homem não ambicionava tugúrio. --- Tingido da chuva copiosa… enregelado até aos ossos… permanecia ali… parado… contemplando o vazio.

Tinha um cariz necessitado. --- O sobretudo sujo… esfarrapado… mostrava alguma negligência… as calças, compridas, deixavam aparecer uns sapatos censurados pelo uso… na camisa incolor, sobrevinha uma gravata desmaiada pelo hábito…

Na penumbra. --- Seu rosto curtido pelo sol apresentava docilidade… os lábios finos, rectilíneos, davam-lhe um aspecto nobre. --- Os olhos, pretos, inexpressivos, inabaláveis não contemplavam ponto nenhum… como que olhando para si mesmo…

Como pode o falaz pedir a inteireza? --- Considerava ele com sofrimento…

Era tão bom que praticasses a verdade --- Diz delicadamente o enganador! --- Primeiro para contigo próprio, depois para os outros…

Seu rosto agora era completo de amargura, de uma total ausência, numa luta desigual entre o bem e o mal. --- Como é possível tamanha hipocrisia? --- Pensava. --- Pessoas de quem gostamos e queremos bem, serem assim tão dissimulados?

Então terminantemente considerou. --- Porquê calar a revolta? --- Perguntava-se. --- Porque não exteriorizar o que me consome?

Porque não dar voz ao repúdio inerente em mim?

Será que os medíocres compreenderão? --- Noto-os demasiado incultos.

Seriam palavras deitadas ao vento… ou deitar pérolas a porcos…

São miseráveis na forma voluntaria. --- Humanos imprestáveis… sujos nas suas acções.

Definitivamente, não lhes darei vitória com minhas palavras.

Ficarão com o silêncio do meu repúdio.

O homem de aspecto necessitado pegou no seu alforge, onde carregava seus poucos pertences. --- Com os olhos fustigados pela dor… decididamente, abandonou o local afogando os pensamentos nas águas prateadas e, confundindo-se na madrugada, tornou-se invisível á luz do dia.



                                                                               Luís Paulo





 


domingo, 4 de abril de 2010

Pensamentos Inquietantes

É meia-noite!
Pensamentos inquietantes do dia assaltam-me a memória …
A dor acutilante da recordação… Agita-me, perturba-me o sono.
Meu corpo. --- Cansado… Inerte. --- Permanece imovel, no leito revolto de desordem
Não suporto a tristeza… Levanto-me… E vejo-a… vejo-a pendurada, a espreitar á minha janela…
Como é linda meu Deus!
Seu rosto. --- Franco… Tranquilo… Pacifico… Agradavél… Mas duma agradabilidade firme. --- Sorri para mim, como se associando… compartilhando do meu padecimento…
Seu sorriso. --- Livre… Harmonioso… Espontâneo. --- Invade e ilumina meu quarto. No instante imprevisto. --- Minha essência, é conquistada por uma avassaladora calma … como que tomada por uma repentina serenidade apaziguadora.
Não suporto tamanha perfeição. --- Falo para ela…
Por favor Lua. --- Vai, diz-lhe que tenho saudades dela… que a amo…que preciso dela… que ambiciono te-la ao meu lado…
Num ímpeto, sua luz radiante desvanece. --- Vastíssima escuridão assenhoreia-se de mim… Nuvens sombrias ao longe intimidam avançar, como ameaçando a minha súplica.
Sou conquistado por uma tristeza imensa. --- A Lua não diligenciou o meu pedido… Censurou minha mágoa… Reprovou minha invocação. --- Num esforço inglório para apreender as lagrimas… Quando me acomodava para me presentear ao sofrimento… Quando me aprontava para me oferecer á tribulação. --- Eis o Luar de novo… Não! Não num brilho inicial, mas, numa luminosidade de grandioso esplendor… Nesse instante, adquiri o conhecimento, que não só ouviu o meu pedido… Como na sua colossal benevolencia o foi entregar … A ti minha querida…
No seu auxílio. --- Silencioso… Veladamente… Adormeci num esquecimento profundo. --- E sonhei contigo…
    
                                                                                                                                                                                                           Luis paulo