sábado, 17 de maio de 2014
Dias demorados
Todos
os dias vou á rua com a minha Lady.
Nas
manhãs mais vagarosas, meto por um pequeno arvoredo que cinge o meu pequeno
bairro.Ali, vem-me o cheiro dos pinheiros, o chilrear dos pássaros, o harmonioso e belo canto dos rouxinóis e isto enche-me a alma.
Não
tenho a culpa.
Fico
assim…
Mas
mesmo que tivesse, não podia fazer nada.
A
alma quer, o coração exige, a mente aprecia.
Há
uns dias atrás, as andorinhas queriam ir embora por motivo de falsa primavera.
Hoje
estão aí, quentes como os dias.
Luís
Paulo
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Ausências
A noite
estava fria,
o equador já
sem vida,
O rosmaninho
revolto na paliçada concedia um véu translucido de traços suaves na noiteno alpendre o teu espaldar não tinha ninguém,
deserto ártico,
escuridão
no rosto tatuado a desilusão
A noite avançada,
o vento norte,
horas tardias,
a mente em convulsões transgénicas,
a morte, a vida,
A desordem, o caos, o sonho!
E tu,
eras um
perfume ténue que se desvanecia no tempono teu espaldar vazio, esquecias as núpcias da tua mocidade
elegias a utopia, a escusa
as vozes, os murmúrios, os suores,
as janelas embaciadas
a vida, a tua vida
era,
solenidades noturnas
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Amar em Silêncio
… Sentei-me a descansar um pouco onde nos sentávamos
meu amor,
Sim, eu sei que prometi não voltar,mas o dia estava tão lindo, o sol brilhava, e há tanto tempo que não saía de casa.
Construí um pequeno passeio a caminhar um pouco.
Depois…depois, ouço meus passos ecoar no silêncio frio do meu coração e lembro-me que foste o meu caminho…
Desculpa meu amor,
mas sem ti não sei que fazer,para onde ir,
Assim,
sento-me aqui e escrevo,
Não! Escrevo apenas palavras que vagueiam soltas e que o meu coração já não consegue segurar,
Escrevo os teus gestos,
as palavras que revelavas, tão doces que me adormecia a noite
o teu amor, que me fazia esquecer o medo
além disso meu amor,
é aqui sentado que me sinto mais perto de ti,
olho o passado,
vejo as tardes onde passeávamos de mãos dadas, a tua voz, tão clara, tão meiga, o teu sorriso desafogado que abraçava o mundo
Ah! Se pudesse emoldurar o tempo!
O tempo em que eras a minha estrofe,meu oboé de Chopin
Ah! Se pudesse,
pendurava aquele tempo no meu quarto e tinha-te todas as manhãs!
Estou a ficar velho meu amor.
E agora…que me importa o tempo que me sobra?!
Tu eras o hífen que me juntava á vida,
vida que ainda me autorizava sonhar, e que agora é um fardo que carrego sem esperança.
Há esperança na morte?
Por vezes dou por mim a invejar quem morre,Hoje, a minha esperança é que a usura do tempo seja veloz e me leve até ti!
“Prometes que vais ser feliz?” Dizias
Prometi que sim, nunca te negava nada.
Menti!
não consigo aguentar mais a promessa,
não consigo ser feliz sem ti, meu amor…
não consigo amar-te mais tempo em silêncio,
não consigo morrer meu amor!
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Um Novo Natal
Havia despertado cedo.
A noite tinha sido inquieta
e o sono agitado.
Acordara cansado, possuía
o rosto suado, os sulcos violáceos á volta dos olhos acusava a fadiga da noite desassossegada.
Levantou-se com dificuldade. Subiu o estore da janela do quarto e olhou o céu. Surpreso,
viu que o sol brilhava já o começo do novo dia.
Intuía que alguma coisa
de anormal estava a acontecer, era como se um sexto sentido lhe acenasse algo
de invulgar. E este sol, este estio, testemunhava a sua incerteza.
Era Natal, época comummente
de frio, em alguns lugares inclusive a neve dava um perfume especial á quadra,
mas, invulgarmente ao habitual estava uma manhã de estival.
Intrigado e curioso, arranjou-se
e saiu á rua. O sol ainda jovem acariciou-lhe o rosto barbeado, o que lhe despertou
maior apreensão. Estranhou também a ausência da neblina causada pelas chaminés
e da essência frequente das lareiras.
Iniciou a caminhar pelo
passeio a descer a rua. Preocupado, olhava furtivo ao seu redor. Todo o seu
rosto era incredulidade. Tudo era silêncio. Não acontecia aquele burburinho das
filas para as compras, para os presentes, para o bacalhau, para o marisco e para
os doces. Ao contrário do que era prática, nas caixas ATM não faltava dinheiro.
As pessoas passavam e
desejavam bom Natal… boas festas. Mas não era aquele retinir de bom Natal hipócrita
usual, em que o hálito de amor passava e o resto do ano esgrimiam
conveniências, lucros e ganhos desonestos. Não era aquele desejar falso de
Natal, em que as guerras de interesses se entrincheiravam, em que as quezílias
retornavam, assim que a quadra passasse. Depois, seguidamente chegava dezembro,
o mês do armistício, a hipocrisia regressava e o amor espalhava-se. Não! Não
era esse desejar de Natal! Era um Desejar de Natal franco, sincero e cheio de
amor.
Caminhava pelas ruas e
o desconforto inicial principiou a falecer. As pessoas falavam-lhe de uma forma
franca, leal, de uma forma afetuosa, com sentimento puro na voz. O dia
pareceu-lhe mais limpo, o sol pareceu-lhe brilhar com um brilho diferente, começou
a sentir-se bem, sorriu, pareceu-lhe que respirava autêntica paz.
Foi com gáudio que contemplou
que o Pai-Natal não vinha gordo, empanturrado de bacalhau, de marisco e de
doces. Não aparecia carregado, com dificuldade em andar para entregar os
presentes aos meninos ricos, presentes caros, esquecendo-se das crianças
pobres, desfavorecidas, que passavam frio, que passavam fome e que nada tinham.
Crianças que não imploravam consolas ou computadores, não rogavam telemóveis ou
bicicletas, bradavam apenas em silêncio um casaquinho, um cobertor, meias,
sapatinhos e uma sopinha para aquecer a alma.
O que viu foi um Pai-
Natal isento, um Pai- Natal que não diferenciava os ricos dos pobres, um
Pai-Natal que em lugar do saco dos presentes, trazia o coração cheio de amor, e
oferecia esse amor com a mesma simetria para com todos.
As pessoas acercavam-se
dele e mostravam-lhe um mundo novo. Um mundo onde a ganância, o odio, as
aversões, as antipatias, as lutas e as guerras de interesses haviam sido
descontinuados. Um mundo em que todos juntos haviam extinguindo a pobreza, a
fome, a violência. Um mundo em que a lei era o amor. Um mundo em que as coisas
anteriores haviam passado.
O coração encheu-se-lhe
de gratidão e alegria. Sorrindo, com as mãos nos bolsos, seguiu a assobiar uma
canção de Natal.
Luís Paulo
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
A voz do Silêncio
É neste silêncio que
ouço a tua voz,
Sussurro cálido que chega
do frio escuro do meu quarto e invade a minha alma. Palavras simuladas,
deléveis, de promessas que segredavas que ficaram por realizar.
São quatro da manhã e
não me deixas dormir. Do relógio, ouço os passos quietos do amanhecer, suaves,
como cristais, que brilham a memória do tempo: Memórias diluídas em meras
lembranças, mas que a tua voz remexe e não me deixa esquecer.
É assim desde á muito,
A tua voz vem continuamente
no silêncio da noite. Avizinha-se devagar de início… muito devagar… melíflua, com
timbre agradável e harmoniosa antes de conquistar a minha mente numa gritaria guerreira.
A tua voz vasculha os meus pensamentos, e num diálogo mental, atiras a
desordem, o caos e a guerra é estabelecida na minha alma. A minha noite calma é
interrompida e o meu sossego vandalizado. A tua voz é como um nó górdio que me
fere e me rouba a paz. No meu leito inquieto, sinto o sabor a sangue de dor do meu
coração, e o meu corpo deitado é terra queimada.
Ainda ontem o silêncio
teve este simpósio comigo. Nesta dicotomia… nesta guerra do pensamento, peço-te
sempre que me exorcizes de ti.
Venho a repetir-me.
Gostava tanto de olhar
o teu rosto, olhar os teus olhos e dizer as coisas que ficaram por dizer…
Se um dia voltares,
trás contigo a justiça, ou então, vem calada com o silêncio dos íntegros.
Porque eu de ti quero
apenas o que me roubaste: os meus sonhos, a minha alegria, a minha paz.
Pensas devolver-me as
noites que não dormi? A verdade? Pensas devolver-me a verdade? Não! Eu sei que
não! Não existe em ti verdade. Nunca foste amiga, foste apenas alguém com
curiosidade, querias saber como amanhecia, como eram os meus dias na minha
intimidade.
Tenho esta luta comigo,
e a merda das lágrimas não param de cair. Sim choro! Choro, mas não sei que
choro é este, não sei que indefinição é a minha alma. Não sei se é um choro de
algum resto de amor que guardo por ti, se é um choro de raiva, ou se choro
apenas com pena de ti. Mas choro publicamente, porque tu um dia foste as
margens do meu rio.
Luís Paulo
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