Bem- Vindo

Bem- Vindo
Queria tanto ser poeta, falar do mundo, do amor... Porque não da dor? Do sofrimento... Da injustiça então... Enfim, falar do meu sentimento

domingo, 17 de março de 2013

O teu rosto


Foi tudo tão rápido, tão veloz…

Imaginava que o tempo não passava, que era intemporal, que parava na passagem dos dias, que havia tempo para tudo…

Como estava errado. Era jovem, irreverente… para mim, o tempo corria tão devagar, que não se me afigurava, que o tempo era unidirecional, assim como o trânsito numa rua de um só sentido. O tempo corre, inexoravelmente para a frente, sempre para a frente… o tempo, não tem marcha atrás.

Nesciamente, pensava ter todo o tempo do mundo … não tive!

Quando penso no que poderia ter dito… no que poderia ter feito… e não fiz…

Como lamento!

Se pudesse parar o Sol, regredir os dias, voltar aos dias de infância, inverter o tempo e ter-te aqui… ah! Se pudesse… começava tudo de novo.

Não seria tão ausente, ficaria mais junto a ti. Não seria tão economizador das palavras, dir-te-ia o quanto te amava, o quanto te amo. Não te mentiria como menti, falaria a verdade… articularia palavras sãs, afetuosas, reconciliadoras, e principalmente pedir-te-ia desculpa… pedir-te-ia perdão pelo que te fiz sofrer, pelas discussões, pelo deixar-te a falar sozinha, pelo bater da porta…

Sei que não estou isento, carrego a mágoa… conduzo no peito a dor do arrependimento, porque sinto-me impotente e não consigo trazer-te a mim… esta incapacidade, esta inépcia de retornar o tempo… castiga-me… esmurra-me de tal forma, que é o meu tormento.

Sinto tantas saudades tuas… do teu rosto… tenho dias, como hoje, que traço o teu rosto numa audaz fantasia… concebo teu rosto na memória, como a grávida o embrião e sinto crescer a nostalgia. O tempo, esse verdugo, secou-me as lágrimas, agora, choro as feridas de olhos secos, vazios, sem o sal curador, que acalma e alivia a dor. Nestes dias, sinto-te o perfume das serras, das margaridas selvagens, das searas por debulhar… ouço a tua voz, falo contigo em pensamento e digo as coisas que ficaram por falar

 

Luís Paulo
 
Tela de: Angelica Privalihin
 

2 comentários:

  1. Parabéns pelo crescimento, pelo reconhecimento e por descrevê-los esta forma. :)

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